Enquanto alguns bairros afastados de São Paulo têm crescimento constante, motivado pelos preços baixos que atraem tanto o mercado imobiliário quanto a população, outros vivem uma rotina parada no tempo, e são mantidos graças aos idosos e aos jovens estrangeiros que aproveitam a infraestrutura próxima sem preconceitos. É o caso do Pari, bairro na região central da capital paulista muitas vezes esquecido.
O esquecimento e a estagnação do Pari foram o tema da pesquisa de mestrado da arquiteta Penha Elizabeth Arantes Ceribelli Pacca na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Interessada pelo mercado imobiliário, ela quis entender o porquê da falta de investimentos do setor no Pari, um bairro bem localizado. “De 2000 para cá o Pari foi o bairro que mais perdeu população no Centro de São Paulo. Comecei a estudar a questão da propriedade privada no local, para ver por que isso acontece, já que ele é um bairro próximo ao Metrô, com ruas largas, que tem alguma estrutura. As pessoas pesquisam mais onde há investimentos do que onde não há. Todo mundo esquece do local, inclusive os pesquisadores”, afirma ela. Em sua pesquisa, ela descobriu que a conjuntura histórica do bairro ajuda a explicar sua situação atual. Alvo de muitos estrangeiros – principalmente portugueses e árabes no início do século 20, e bolivianos, peruanos e coreanos depois da metade do século –, o bairro teve a rotina estabelecida pelos costumes deles, como a concentração de imóveis, por exemplo. “Nas minhas entrevistas, percebi que portugueses e árabes, maiores donos de propriedades, lidam de maneira diferentes. Os árabes alugam mesmo que não consigam o preço desejado; já os portugueses preferem deixar parado. Por isso os imóveis acabam ficando abandonados e deteriorando-se”, explica ela. Atualmente, quem vive no local são principalmente os antigos imigrantes, pessoas já idosas – seus filhos deixam o bairro ao tornarem-se independentes – e jovens coreanos e bolivianos. “Eles escolhem essa área porque não têm preconceito com a área. Eles não têm esse preconceito que do mercado imobiliário”, diz a pesquisadora. A presença dos novos imigrantes divide quem vive no local há várias décadas. Morador do distrito do Pari desde que nasceu, o aposentado Darci Pinto, de 76 anos, não vê grandes problemas em seus novos vizinhos, mas reclama da falta de estrutura. “Falta uma farmácia, um supermercado aqui no bairro. Para tudo tem que ir longe. As calçadas também estão todas ruins”, afirma ele. Filho de um português, ele é o típico representante do que traz a pesquisa – seus filhos saíram do bairro quando casaram, e o aposentado ficou no local apenas com a mulher, Regina Pinto, de 63 anos. Outra que vive desde criança no bairro é a aposentada Odete Torres, de 78 anos – que está mais descontente. “Teve uma invasão de bolivianos, coreanos. Eles vêm, montam oficinas, e as pessoas em volta tem que ir embora. Antes era um bairro mais calmo, tranquilo. Agora está cheio de caminhão passando na rua”, afirma ela. “Não tem estrutura de serviços por perto. Chegaram a anunciar que iam construir um prédio, que podiam melhorar o entorno, mas desistiram. O bairro se deteriorou.” O Pari é um dos com maior incidência de cortiços na cidade, e possui muitas pequenas propriedades de donos diferentes, o que dificulta a ação de incorporadoras. “A empresa precisa falar com muitos proprietários para conseguir uma área grande e construir um prédio. Com isso, não houve construção, não houve inovação, as pessoas jovens vão embora. E não vejo só a dificuldade, mas também um preconceito das empresas em relação à Zona Leste”, explica Penha, citando a região da cidade historicamente mais “esquecida”. O mesmo problema, que poderia ocorrer em bairros mais afastados, não é visto devido aos preços mais baixos na periferia – apesar de estagnado, o Pari fica no Centro, o que valoriza os terrenos.Para ela, entretanto, há potencial para essa estagnação ser revertida e o bairro, valorizado. “Isso vai acontecer quando o mercado imobiliário se interessar, perceber que vai poder ganhar muito dinheiro, que o bairro é muito acessível, plano, fácil, as vias são largas, não é um bairro com ruas estreitas. Tem potencial ali”, explica ela, que não vê entraves em relação à urbanização mista, com comércios e áreas de indústrias. “Isso pode ser enriquecedor, se for bem administrado, o bairro pode ter sua infraestrutura aproveitada 24 horas por dia.” Fonte:G1
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Desde os primordios das mais primitivas civilizações, o homen sempre se organizou em grupos. Considerou indispensável e necessário os avanços da urbanização, para facilitar e organizar o convivio dessa sociedade em crescente evolução ,bastando lembrar que o bem imovel é o combustivel indispensável e essencial a preservação e desenvolvimento da vida.
Desde os primordios das mais primitivas civilizações, o homen sempre se organizou em grupos. Considerou indispensável e necessário os avanços da urbanização, para facilitar e organizar o convivio dessa sociedade em crescente evolução ,bastando lembrar que o bem imovel é o combustivel indispensável e essencial a preservação e desenvolvimento da vida.