domingo, 15 de agosto de 2010

O empresário Silvio Santos




De criação de camarão em cativeiro à previdência privada, passando por cosméticos, automóveis, agropecuária, varejo, financeiras, construtoras e emissoras de rádio e televisão: difícil encontrar um ramo no qual o Grupo Silvio Santos já não tenha tido pelo menos alguma experiência.

A diversificação sempre foi uma marca desse conglomerado que nasceu em 1958 com o Baú da Felicidade, fundado por Manoel de Nóbrega em sociedade com um alemão cujo nome era Walter Scketer. Naquele tempo, o negócio dos carnês despontava com força e muitas empresas já estavam ou iniciavam suas incursões nesse mercado: Cestas de Natal Amaral, Carnê da Girafa, Carnê Erontex…

Na verdade, o carnê nada mais é do que um tipo de poupança popular e que funciona da seguinte forma: o cliente paga 12 mensalidades durante um ano e, no final, resgata esse valor corrigido em mercadorias. Hoje em dia, é possível adquirir uma série de produtos através do carnê — eletrodomésticos, eletroeletrônicos, artigos de cama, mesa e banho, relógios etc. — mas, no começo, só havia um artigo disponível: era uma cesta de natal com comidas e brinquedos (tratava-se de um pequeno “baú” de presentes, ou seja, de “felicidade”).

O Baú nascia, como já foi dito, sob a chancela de Manoel de Nóbrega, então maior audiência do rádio paulista e político mais votado de São Paulo. Isso, naturalmente, fez o negócio crescer rapidamente, mas não impediu que o tal sócio alemão simplesmente roubasse Manoel, levando todo o dinheiro que os clientes do carnê já tinham depositado e que serviria para comprar as cestas de natal no final do ano.

Sem dinheiro e preocupado com sua reputação, Manoel buscou ajuda num jovem que estava começando a trabalhar com ele no rádio mas que já demonstrava ter um tino comercial e um poder de comunicação fora do comum. Esse jovem era Silvio Santos, que imediatamente começou a ajudar Manoel na difícil tarefa de receber os clientes na então única loja do Baú, na R. Líbero Badaró em São Paulo, e explicar que eles teriam de esperar um pouco mais para receber as suas cestas pois o tal sócio alemão havia fugido com todo o dinheiro da empresa.

Até que uma cena chamou a atenção de Sílvio: ele começou a ver que as pessoas entravam na loja, iam direto ao caixa, pagavam a sua mensalidade, viravam as costas e iam embora sem levar nada. Isso era algo impensável para ele, afinal, quem paga, geralmente recebe algum produto na hora. Quem aceitaria dar dinheiro para não receber nada em troca? Se era assim que funcionava, então esse deveria ser o melhor negócio do mundo!

Vendo isso, o jovem empreendedor imediatamente pegou o telefonte, ligou para Manoel de Nóbrega e teve com ele o seguinte diálogo:

— Manoel, o Baú funciona assim mesmo: as pessoas entram na loja, deixam o dinheiro e não levam nada?

— É, Silvio!

— Então posso ser seu sócio?

E assim nasceu uma parceria que recuperou a credibilidade e as finanças do Baú, cuja razão social na época era Distribuidora Ali Ltda. Mais lojas foram sendo inauguradas e mais anúncios no rádio e na TV foram surgindo. Nasceram os sorteios como forma de estimular o pagamento em dia das mensalidades, ao mesmo tempo em que os prêmios foram ficando cada vez mais valiosos: o que antes resumia-se à cestas de natal, agora eram os mais variados artigos para o lar, casas novas e automóveis 0km.

A empresa foi crescendo nas mãos de Silvio Santos numa velocidade inacreditável e isso acabou assustando o velho Manoel, que preferiu entregar sua parte na empresa para o animador.

Com 100% das ações, Silvio acelerou ainda mais o seu vôo rumo ao topo e começaram a nascer outros negócios a partir do Baú da Felicidade (que agora se chamava BF Utilidades Domésticas e Brinquedos Ltda.).

O Baú precisava cada vez mais de promoção. O fato de Silvio Santos já ser um radialista famoso fez com que ele fosse para a TV e lançasse um programa que, além de divertir, serviria como propaganda do carnê. Alguém precisava produzir esse programa e cuidar desses anúncios. Então, em 1962, nasceu a Publicidade Silvio Santos Ltda.

As vendas do Baú não paravam de subir e, para manter o pique, os prêmios oferecidos foram ficando cada vez mais valiosos. Casas novas começaram a ser sorteadas, só que a lei da época dizia que só podia se sortear casas que já estivessem construídas. Acontece que nenhuma empresa (construtora, incorporadora, imobiliária etc.) tinha a quantidade de casas que Silvio precisava para sortear. Resultado: montou-se a Baú Construtora para resolver esse problema!

Carros novos também começaram a ser sorteados, ao mesmo tempo que a frota de Kombis para venda porta-a-porta não parava de crescer e precisava de constante manutenção. Então, como conseguir comprar mais automóveis e ainda ter uma oficina de qualidade e sempre disponível? Comprando-se uma concessionária! Assim, surgia na história do Grupo a Vimave – Vila Maria Veículos, que depois ganhou uma segunda filial no bairro do Pacaembu, passou a vender motos e também virou consórcio.

Só que setores do Governo da época começaram a ver os carnês como jogo e estavam dispostos a proibir esse negócio no Brasil. O que fazer então com a grande rede de lojas que a empresa já possuía e com os produtos que estavam no estoque? Vendê-los ao público através do crediário! E para financiar isso, surgia a Baú Financeira (hoje Banco Panamericano).

A operação varejo com crediário acabou sendo separada do Baú com a criação, nos anos 1970, de uma cadeia de lojas específica para isso: a Tamakavy (que depois foi vendida para as Casas Bahia). Esse nome diferente foi escolhido pelo próprio Silvio Santos, que o tinha visto pela primeira vez numa fazenda que o Grupo havia comprado em 1969. Quando os seus executivos lhe falaram que essa era uma palavra quase impronunciável e, por isso, difícil de ser lembrada pelos consumidores, o apresentador foi taxativo: “Se é difícil de ser lembrada, então é duplamente difícil de ser esquecida!”.

Com todo esse crescimento, os gastos com seguro foram ficando cada vez mais elevados. Então, porque não ter a própria seguradora? Nascia assim a Baú Seguradora (atual Panamericana de Seguros).

No meio do caminho, outras oportunidades foram surgindo. Como forma de aproveitar os muitos incentivos fiscais oferecidos pelo Governo durante a década de 1970, o Grupo Silvio Santos investiu também em reflorestamento e agropecuária, adquirindo fazendas nos pontos mais distantes do país.

Numa dessas fazendas, aconteceu uma história curiosa: naquele tempo, era comum, nos escritórios das empresas do Grupo Silvio Santos, que fosse colocada uma foto de Jesus Cristo (mesmo o empresário sendo judeu). Quando essa foto foi colocada na sede de uma fazenda recém-adquirida, um peão, que nunca havia visto nem TV e nem Silvio Santos na vida, comentou:

— Mas o patrão ‘tá’ acabado nessa foto, não é?

Outra história curiosa vem da área de cosméticos. Engana-se quem pensa que Jequiti é a primeira incursão do Grupo Silvio Santos nesse ramo. Em 1976, o apresentador iria lançar uma marca para de competir com a Avon: a Chanson Cosméticos. Comprou um imenso galpão para construir sua fábrica e mandou fazer milhares de frascos para o perfume que seria lançado. Só que, naquele mesmo ano, Silvio ganhou a concessão do Canal 11 do Rio de Janeiro e surgiu a necessidade de transformar aquele galpão em estúdio e de usar todo o dinheiro que seria investido em produtos de beleza para montar a programação da nova estação. Então, começou-se a buscar um comprador para aqueles milhares de frascos, até que apareceu uma pequena farmácia de manipulação paranaense que estava interessada em lançar sua primeira fragrância. Foi ela quem acabou comprando todas aquelas embalagens. Nascia assim O Boticário e o frasco comprado nada mais é do que o da tradicional Acqua Fresca, um dos perfumes mais vendidos do mundo e símbolo da empresa até hoje. Muitos creditam o sucesso da marca à esse “toque de Midas” de Silvio Santos.

A aquisição da Rádio e Televisão Record e o lançamento da TVS e, mais tarde, do SBT, deram ainda mais fôlego aos negócios do GSS, pois eles agora ganhavam um espaço muito maior para serem divulgados. Acontece que essa chegada à TV custou muitos investimentos e que, nos primeiros anos, não deram o retorno esperado. Como forma de capitalizar o Grupo, alguns negócios foram vendidos como a Aposentec (plano de previdência privada), as fazendas (reunídas na Silvio Santos Agropecuária), as Lojas Tamakavy, o plano de saúde Clam e a própria Record.

Os anos 1990 foram marcados por três grandes acontecimentos: o lançamento da Tele Sena (um fenômeno que já ultrapassou a marca de mais de 4 bilhões de títulos de capitalização vendidos); o fortalecimento da divisão financeira do Grupo Silvio Santos (com o surgimento do Banco Panamericano) e o crescimento do SBT, que passou a dar lucro, investiu em programas mais qualificados e inaugurou o Complexo Anhanguera, um dos maiores e mais modernos centros de produção de TV do mundo.

Atualmente, o Grupo Silvio Santos vive uma fase de diversificação: foram lançados os cosméticos Jequiti; as lojas do Baú estão se tornando “Lojas do Baú Crediário” e estão vendendo também para aqueles que não possuem o carnê de mercadorias; a Sisan Empreendimentos Imobiliários deixou de cuidar apenas dos imóveis pessoais de Silvio Santos e passou a fazer também grandes lançamentos comerciais; foi inaugurado o Sofitel Jequitimar (hotel cinco estrelas na cidade do Guarujá/SP); iniciou-se, na região nordeste, a criação de camarão e a plantação de uva de mesa para exportação e muitos outros planos estão em andamento. Hoje, qualquer pessoa pode ser sócia de Silvio Santos: basta comprar ações do Banco Panamericano que são negociadas na Bovespa.

Ninguém que visse aquele jovem garoto vendendo canetas na Av. Rio Branco ou atrás do balcão da primeira loja do Baú poderia imaginar que, hoje, ele seria o maior comunicador e um dos maiores empresários do Brasil. Silvio Santos é a prova do quanto a perseverança e a crença inabalável na força do trabalho são as chaves para o sucesso.

Fonte.http://televisionado.wordpress.com/2008/10/06/o-empresario-silvio-santos/


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